(Semi) Pelados pedem respeito aos ciclistas na Paulista

14 de março. 13h40. Subo a avenida Pompéia na marcha 3. A idéia é aumentar o ritmo, mas o calor associado à ressaca da sexta-feira não me permitem. 30 graus marca o relógio. Como sempre, dois ônibus me fecham, e momentaneamente entendo o porquê de estar correndo para pegar a Pedalada Pelada 2009. A divulgação indica que o objetivo é pedalar “pelado” na avenida Paulista. Tudo em prol de maior respeito pelo ciclista e menos carros nas ruas. Digno. Chego ao metrô Vila Madalena às 13h56. Faltam 4 minutos para a pedalada começar. Por um momento, penso em pegar o metrô até a estação Trianon-Masp, adiantando o percurso, mas a rapidez dos trens me impelem a descer na Consolação às 14h02. Ciclista no metrô não pode usar a escada rolante com a magrela e tenho que encarar os cerca de 60 degraus com a bike no ombro direito. Chego à saída da Consolação exatamente às 14h05. O passeio já tinha começado, percebo pelos transeuntes rindo e aplaudindo. Estou no lugar certo, acredito.

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Pedalar sozinho exige mais atenção. Qualquer descuido e sua cabeça pode virar uma massa disforme estatelada no chão. Volto mentalmente ao passeio. Andar de bike na pista central da Paulista é literalmente uma viagem. Não vejo ninguém totalmente nu. Que sorte estar vestido. Até porque a timidez não me permitiria ficar com tudo a mostra. 50 metros à frente, no Conjunto Nacional, um ciclista enquadra um motorista que supostamente teria batido na sua bicicleta. Nada danificado. Vejo duas meninas de topless. Ambas pintadas. Uma delas maquiada de diabinha. Um fotógrafo tentar focar a moça. Ela e o acompanhante enquadram o cara. Querem bater no sujeito. Começo a duvidar do senso de humor dos ativistas. Ora, se alguém se propõe a andar nu na Paulista não pode exigir discrição, penso com meus culhões, devidamente cobertos.

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Os ciclistas pedalam, param nos semáforos, erguem as bicicletas. Gritos de guerra permeiam o ambiente. “Você aí parado, venha pedalar pelado”. “Mais adrenalida, menos gasolina”. Entramos à direita, já na Praça Osvaldo Cruz. Alguns guias falam baixo: “Vamos dispersar para que a polícia não identifique o caminho e a gente possa ficar pelado”. Sigo com o bloco. Ninguém aparentemete sabia, mas íamos para monumento das Bandeiras, em frente ao Parque do Ibirapuera. Dez minutos e estamos no local. Um sorveteiro e um ciclista em harmonia divulgam uma entrega a domicílio de sorvetes. Enquanto aguardo a revolução, traço um picolé de abacaxi meia-boca, mas agradável ao calor de agora 31º graus. Reconheço o cara que arrumou a treta na frente do Conjunto Nacional, por conta da suposta batida na bike. É um dos primeiros a tirar o calção e ficar com o dito cujo à mostra. Outros ficam pelados também. Tento, mas não consigo fotografar. Fico constrangido. Só os feios ousam ficar pelados. Bundas peludas e gordas ao vento.

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Começo a entender que aquele não é meu lugar. Espero mais uns minutos e nada acontece. Um grupo de japoneses pede para fotografar com os ativistas. A tradutora aponta uma admiração, a qual não entendo. É hora de pedalar sozinho, percebo, e rumo a Pinheiros. A volta solitária me traz paz e um novo respiro. Conseguimos melhorar algo? Duvido. A marcha dos pelados me trouxe mais tédio do que efetivamente uma sensação de liberdade. Permaneço vestido. Preciso agora apenas de uma água-de-coco.

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PS: Agredecimentos especiais a Ana Flávia, que deu um help básico às fotos. O site dela é: Ana Flávia.

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